Las chicas del cable: liberdade feminina

Ela já estreou há varios meses, mas caramba por quê raios eu demorei tanto pra ver isso??? Ainda não sei, mas to arrependida e também por ter visto todas as duas temporadas em um dia. Por que eu faço isso eu também não sei. Enfim, o fato é que ela é incrível e merece que eu fale dela.

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Las Chicas del Cable, ou As Telefonistas, é a primeira produção da Netflix na Espanha. Traz discussões relevantes, tem uma estética primorosa e com atuações impecáveis. O livro El Tiempo entre Costuras, de Maria Dueñas é que deu origem a série (e eu já fiquei com vontade de ler só de ver algumas resenhas).

Conta a história de quatro mulheres de diferentes origens socias, que começam a trabalhar como operadoras de telefone na Espanha, na década de 1920. Alba/Lidia (Blanca Suárez), Carlota (Ana Fernández), Angeles (Maggie Civantos) e Marga (Nadia de Santiago) têm personalidades diferentes mas um sonho em comum: liberdade.

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Carlota, Alba/Lidia, Marga e Angeles

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Numa época em que as mulheres eram vistas apenas como acessórios, objetos sem poder de opinião ou decisão, “ser livre era algo que parecia impossível, porque para a sociedade as mulheres eram apenas donas de casa, mães, esposas. Não tínhamos o direito de ter sonhos nem ambições, para buscar um futuro muitas tinham que ir para longe e outras tinham que enfrentar as manhas de uma sociedade machista e retrógrada.” Essa é uma das palavras da narração de Alba logo no comecinho do primeiro episódio, que aliás é um dos motivos para ver a série, o texto narrativo é de aplaudir.

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Ainda que seja ambientada em 1928, a série levanta questões bem atuais, por exemplo Angeles que sofre com um relacionamento abusivo e tenta lutar contra leis que naquele tempo favoreciam os homens independentemente de qualquer coisa, e é claro que tem o tema dos pais ultraconservadores e autoriatários, mas todos os conflitos gerados (não tanto a parte do romance, porque ele existe) são para permear o questionamento central: o papel da mulher na sociedade.

Nem preciso dizer que o empoderamento é massa demais, ver elas juntas ao longo dos episódios, os desenvolvimentos das personagens é inspirador, como a Marga que era tímida e insegura no começo e depois de conviver com as outras constrói uma autoconfiança gigante.

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A trilha sonora é incrível, mesmo que tenha sido criticada, mas eu gostei porque dá tom a mais de progressista que a série tem. A relação de passado e presente. Aliás, tem uma bela de uma abertura (Netflix não faz uma ruim. Sem or!). Mas confesso que senti falta de mais músicas na língua espanhola, acho que pecaram um pouco nisso, levando em consideração que foi filmada em espanhol e na Espanha.

Eu achei que não ia falar, mas não vou me conter em comentar sobre os personagens masculinos, apesar de todo empoderamento feminino a gente não é cega pras belezas espanholas né. Alba/Lidia é responsável por um dos principais romances da história (mesmo que seja como pano de fundo), ela compõe o triângulo amoroso com Carlos (Martiño Rivas) e Francisco (Yon González). Ainda que seja só pra entrelaçar as tramas, você acaba escolhendo um lado hahaha.

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Francisco, Carlos e Alba/Lidia

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Muito meu casal. Aqui é #TeamCarlos

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Las Chicas nos lembram que tem muita coisa pra fazer, mas também muita coisa pra agradecer, porque mesmo que a gente já esteja no século XXI, a história é mais atual do que se fosse ambientada em pleno 2018. Tem um clima muito leve (a não ser pela segunda temporada #chocada), mas ainda com todas as criticas possíveis. Queria muito que tivesse a popularidade de outras séries, porque vale muito a pena.

E agora eu to só pela terceira temporada!

xoxo

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Cara gente branca, vocês precisam ver essa série

dearwhitepeople

Já faz algum tempo que saiu (mais especificamente em 28 de abril) na Netflix essa série incrível, mas ela não teve a repercussão que merecia, o que não quer dizer, é claro, que não vamos falar sobre. Trata-se de Dear White People, baseada no filme com o mesmo nome, uma série satírica e gira em torno de um grupo de alunos negros que se sentem reprimidos e desrespeitados em uma universidade onde a maioria são estudantes brancos. O diretor da série é o mesmo do filme e conseguiu ter mais tempo para discutir sobre o racismo e outras questões relacionadas de forma inteligente.

O que gerou essa inquietação nesse pequeno grupo foi uma festa blackface, onde os alunos brancos se caracterizam de pessoas negras de forma satírica, uma festa a fantasia mesmo. É válido lembrar que a série coloca também outras questões que são hábitos comuns dos brancos, o fato de que sempre arrumam um jeito de satirizar tudo que não é branco, seja asiático, latino, indígena, e ajudando, assim a alimentar esses esteriótipos.

Um dos motivos principais para ver essa série é o fato de que várias pessoas cancelaram a sua assinatura no serviço de streaming porque acharam a série ofensiva, por existir uma forma de “racismo reverso”. Se se ofenderam com o que ela mostra, Dear White People só pode ser incrível mesmo. Acontece que as pessoas  pedem representatividade o tempo todo, mas ignoram os conteúdos sobre isso, muito irônico, não? Acontece que racismo reverso não existe. Simples assim. Não adianta se vitimizar porque foi chamado a vida toda de “branquelo“, a piada pode até ter causado incômodo, mas ter pele branca nunca fez com que alguém fosse impedido de entrar em uma loja cara, por exemplo. Até porque ninguém nunca disse que vidas brancas não importavam, mas as negras também importam, pois apesar de sermos todos humanos ainda não somos tratados da mesma maneira. O peso das palavras diante do contexto histórico é incomparável. Cara gente branca, não existe piada de branquelo que faça com que você saiba o que os negros sentem no dia-a-dia.

Desde o início a série se propõe a discutir o racismo, dá voz a quem deve ter voz. Toda a produção é pensada e produzida por quem vive na pele o preconceito. Em um dos episódios, alguns amigos de um dos personagens principais pedem pra que ele não viva a todo instante em favor da militância, o que é impossível quando ela está estampada na sua pele o tempo todo. E ainda mostra como dentro da própria comunidade negra existe uma separação, com a ideia de que quanto mais escura for a pele de alguém, mais a sociedade o afasta dos privilégios sociais dos brancos, o que gera a discussão do colorismo. E há muitas outras questões que não foram tão aprofundadas, como a da solidão da mulher negra, e que a gente espera que seja discutida na segunda temporada (se tiver né… estamos torcendo pra que tenha).

Dear White People me fez repensar como vejo o mundo, dá pra começar a entender o porquê de existir cotas nas universidades, entender o que é o “privilégio branco” e, principalmente, as várias faces do racismo, onde não há apenas uma “piadinha”, mas sim um preconceito mascarado. Entrega a mensagem de leve, pelo menos início, porque a partir do quarto episódio, mais ou menos, a trama começa a ficar a tensa. Tem um humor, mas não aquele humor de besteirou, um humor mais afiado, cheio de sarcasmo, do tipo que faz rir com um pouco de culpa. Uma primeira temporada bem sólida e construída e que se enquadra perfeitamente na categoria de drama, com críticas importantes, ora escondidas, ora escancaradas.

“Nossa cor de pele não é uma arma, não precisam ter medo dela”

                                                  – Samantha White

xoxo

Quem precisa de faculdade de Direito quando se tem How To Get Away With Murder

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Meu sonho: passar as férias viajando, conhecendo uns lugar massa. Minha realidade: ficar de pijama o dia todo vendo série. Não que isso seja ruim, mas esse não era o plano né haha.

Mas é o que temos pra hoje, e já que estamos de férias e temos muita série pra atualizar e pouco dinheiro pra viajar. E vou falar de How To Get Away With Murder, que eu já venho acompanhando há um tempo, que já está na terceira temporada e é escrito pela destruidora de corações, Shonda Rhimes (aham , essa mesma que cê tá pensando, que escreveu Grey’s Anatomy).

A história gira em torno de um grupo de estudantes de Direito e a sua brilhante professora, Annalise Keating (interpretado por, nada mais nada menos, que Viola Davis), que dá aula de introdução ao direito penal ou, como ela prefere chamar: como sair impune de um assassinato (fala da própria).

Eu sou doida por seriados assim, meio de mistério com investigações e afins, e logo no primeiro episódio eu já estava totalmente envolvida com o caso e procurando os culpados (é, nada normal haha).

Cada um dos episódios conta sobre um caso criminal da advogada e, olha, se você gosta de personagens que fazem as coisas direito, você vai gostar dessa mulher. Ela é simplesmente sen-sa-cio-nal. Tem um episódio que a Michaela, uma das alunas dela quando vê ela ganhando um caso, apenas diz: “eu quero ser como ela“. Sente o poder.

Além dos “pequenos” casos, tem um caso maior e misterioso que é o centro da trama e a cada episódio a gente vai descobrindo mais desse caso, mas ele só se resolve nos 45 do segundo tempo e não pense que existe episódio morno, todos tem uma movimentação, uma descoberta de deixar os cabelo em pé.

Annalise é a estrela, mas os outros personagens são tão bom quanto e a gente acaba se apegando a eles (alerta de galã para Frank Delfino). Contamos com a presença de Alfred Enoch (ele fez Harry Potter), no papel do Wes e Lisa Weil (que fez Gilmore Girls), como a Bonnie.

Não tem nada pra reclamar da série ao meu ver, um roteiro impecável que só Shonda consegue fazer, a fotografia sombria completa o enredo da série, enfim, uma obra de arte. E ainda bem que já estamos na metade da terceira temporada, dá pra maratonar em um ou dois dias.

E é isso ai

xoxo

P.S.: Essa é a minha segunda graduação na Universidade Shonda Rhimes haha